terça-feira, 6 de outubro de 2009

esse blog está em hiatus.
me encontro feliz demais pra conseguir escrever, aqui.

estou no www.maetosemroupa.com

iéié. \o/

sábado, 26 de setembro de 2009

sem título.

o sol entrava por todas as frestas.
fazia questão de acabar com toda e qualquer escuridão ou vestígio daquela madrugada.
os raios penetravam nas sombras como a água que derrama no copo, ocupando todo o espaço até então, vazio.
vazio feito o coração de quem ali estava. escuro, calado, noturno. agora claro, iluminado, irradiado de sol, dourado e calor.
"isso é parte do dia. me sinto assim prq o dia me faz assim", pensou.
gostava de se iludir com a sensação de recomeço. mas sabia, mesmo que muito dentro de si, que era apenas mais um dia, como outro qualquer. onde a rotina o fazia burro de carga, homem máquina. ou simplesmente um relógio, que espera o cair da noite para justificar sua tristeza e melancolia, com a escuridão eminente.
olhou ao redor e pouco prestou atenção. a não ser aquele copo com um resto de algum líquido qualquer. lembrou-se quando foi a última vez que sua boca se deliciou com algo.
quando foi que se levantou daquela cadeira já velha. "acho que não sei mais andar", foi o que pensou e ao mesmo tempo o fez rir. rir de si mesmo.
se esticou como se nunca tivesse feito antes. sentiu um prazer descomunal ao colocar os braços para cima.
ouviu um estalo e riu mais uma vez. "estou ficando velho...".
mas velha era a sensação de novidade, que todos os dias o sol e o seu dia, trazia.
olhar, olhar e procurar. seus olhos agora voltavam a percorrer todo o ambiente, em busca de alguma razão para se levantar.
a barriga, já vazia e roncando, não era o suficiente para fazer sentir fome. tão pouco os lábios resscados e a boca seca, por falta de líquido.
o desamor e desapego por si era tão grande, que mesmo sentindo os raios de sol, a novidade de um novo dia, ele conseguia se motivar a fazer algo.
algo para si e por si.

se manteve sentado. até que seus olhos perderam força para se manter abertos.
e fecharam...
fecharam apagando toda claridade e renovação do dia, transformando o sol em lua. transformando o dia em madrugada.
e, mais uma vez, nas sombras estava.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

mãe.

você me disse a verdade tantas, mas TANTAS vezes, e eu nunca quis acreditar.
por que? por que você não abriu minha mente com suas próprias mãos - já enrugadas -, e me fez acreditar?
eu só precisava de um pouco de força. força. pois me falta forças pra continuar, pro ar. para respirar.
lembro-me de nossas brigas, de nossas, suas, lágrimas. mas esqueci de todos os poucos sorrisos, dos abraços e do querer.
se você me desse uma nova chance...a chance que eu desejo todos os dias, de poder mostrar o quanto envelheci querendo mudar.
do quanto eu me esforcei pra evitar sua frustração. mas eu esqueci, como os sorrisos, como se evita o choro. o seu choro.
eu só queria o seu perdão. mais que meu próprio perdão, eu quero o seu. "mas agora é tarde", penso eu.
é tarde demais. já é quase meia-noite e meu sangue ainda está poluído do que nos afastou.
seja vício, seja festa, falta de amor. foi o suficiente pra nos desunir por completo.
eu fui a rosa que cortaram da sua roseira.
eu sou a ovelha que fez questão de abandonar o bando.
me perdi do caminho e tornei o certo errado.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

esquecimento.

não consigo me recordar quando foi a última vez que senti paz.
paz. uma palavra tão pequena, mas com um significado tão vasto.
me olho no espelho e procuro vestígios de algum espírito santo. algum santo dentro do meu poço de pecado.
mas não encontro. esqueci.
esquecemos.
meu corpo, minha alma, mente e coração, nos esquecemos de nós.

ando pelos cantos e sombra, procurando calmaria dentro da orquestra que habita meu corpo, mas nada silencia.
o grito grita e a noite anoitece, junto com o meu olhar, que se fecha diante de qualquer chance de sentir sossego.
fiz-me trampolim. me fiz de pulo e pulado.
nem a cachaça mais ardente me tira deste estado congelado.

esqueci de me deixar sentir



paz.

sábado, 19 de setembro de 2009

vestígios da música.

eu desejei o seu corpo como se deseja uma nota de cem reais.
seus lábios nadaram pelos meus, como os peixes, da mesma nota, nadam.
eu sempre vou te querer como quero o cheiro de rosas entre os meus fios de cabelo.
te querer é como respirar ou acordar tarde. te querer é como respeitar pai e mãe. é obrigação.
e eu te quero. quero tanto quanto desquero.
você é o meu eu melhorado. é meu real aumentado.
minha flor mais brilhosa, mais saudosa, mais querida.
te criei e cativei prq é isso que você merece: abraços e beijos perdidos e jamais esquecidos.
dias e dias seu cheiro faz parte do meu.
talvez, talvez seja o mesmo. meu cheiro precisa do seu pra ser cheiro.
ou eu preciso de você pra ser gente.
volta pra mim e me ensina a ser alguém.
só com vc eu deixo de ser ninguém.

eu quero ser alguém.
eu quero ser alguém, com você.


(achei esse vestígio perdido no pc, enquanto escuto tango.
boa pedida prum sábado perdido.)

sábado, 29 de agosto de 2009

nós.

meu abraço
é
um pouco
de mim
em
você.

de
mim
e
você.

não

abraço

tanto
tempo
que
não há
muito
de
nós
em
nós.

domingo, 23 de agosto de 2009

sobre @ematoma: sumir.

nunca nos falamos. nunca a conheci, nunca a vi de perto ou falei de perto.
ela era simplesmente uma estranha.
mas, estranhamente, eu a entendo como um conhecido, amigo, de muitos anos.
às vezes uma dor profunda toma conta de nós. toma conta de forma que todos os sentidos deixam de ser sentidos. de uma forma que o silêncio mais suave, se torna um grito desesperado e assustado.
é assim. você se sente perdido mesmo sendo livre e sem coleiras. você se sente sozinho, mesmo rodeado de amor e sorrisos meigos de uma criança.
não existe explicação para a tristeza. não existe explicação para a depressão.
existe apenas um sentimento de rancor, mágoa e desistência.
você não quer morrer, mas também não quer viver.
você não quer dormir, você quer SUMIR.
nenhuma dor é tão dor do que essa intocável dentro do peito.
eu a conheço e a entendo, prq um dia também já senti a dor que a faca estancou.
a faca foi a solução, o remédio. foi a saída.
pra nós foi a saudade, a distância, a separação de mares.
foi o fim. e o recomeço.
a faca foi o seu objeto de desejo, que supriu o seu desejo de...dormir.

sumir.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

manter.

dancei.
dancei por todas as músicas que durante toda minha existência, não pude dançar.
chorei.
chorei por todas as mortes que morri e que ainda irei morrer.
sorri.
sorri por todos os sorrisos que eu nunca irei sorrir.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

fragmentos (II).

eu nunca disse que meus desejos eram secretos. eu nunca quis dizer que sou um mistério apenas porque faço de mim um livro fechado.
sou livro aberto quando se trata de sentimentos.
sentimento é palavra dita, escrita e selada. sentimento não se esconde; se sente.
e eu nunca disse que esconderia o que sinto, tão pouco o que sou.
portanto, sentimento é pra ser sentido. sentimento é o que você é.
e eu sou só sentimento, só saudade, só eu. eu, só.

eu sinto.
e sou.
sou um pouco do que tento não ser.

domingo, 26 de julho de 2009

enquanto eu esquento meu café, imagino todas as músicas que meus ouvidos já ouviram e ainda ouvirão.
enquanto eu vejo o vapor sair da velha chaleira, que não me desfaço como não me desfaço de mim, imagino todas as estradas que ainda vou percorrer.
lábios são estradas. aquelas que escolhemos conhecer todas as sinalizações, precipitações e perigos.
sem medo.

dou o primeiro gole do café ainda amargo. sinto como se fosse a bebida mais barata e decadente de um bar - de beira de estrada - qualquer.
eu gosto disso.
eu gosto do drama que ajudo a compor.
eu gosto de me imaginar em uma cena de filme clichè, que me torna diferente de tudo aquilo que muitas mentes jamais pensarão.

você deixa de ser alguém, justamente, quando desiste de ser. do ser. de existir.

eu não existo
mais.

além.

durante todo esse tempo eu nunca quis estar aqui.
durante todo esse TEMPO, eu sempre quis estar além
daqui.
mas continuo aqui.
e a mente
além
de mim.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

fragmentos.

como o tango mais desesperado
como o vermelho mais rubro
como a maçã mais azeda,
é você
pra mim.
te querer me estraga um pouco
mas sempre aumenta o meu louco
grande
louco
amor.

(...)

rosas e espinhos
minhas mãos
em seu chão.
aos seus pés me repouso
pois aqui é a minha pista de pouso.
com você vou longe
com você voo alto.
sem você quero nada
com você sou parte de tudo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

mar de rosas.

e aí? o que vamos fazer, agora?
todas as horas do relógio já passaram, todos os segundos já findaram.
não temos mais para onde ir.
passamos por todos os pontos finais.
o carro circulou por todos os bares mais sujos.
já jogamos todos os cigarros pela janela - junto com minhas calças, molhadas do banho que fiz questão de tomar, naquele mar desconhecido.
tem areia até dentro dos nossos ouvidos, mas não o suficiente pra nos impedir de ouvir o pneu cantar no asfalto ainda quente - como nós.
você me chama de "meu amor" e eu te chamo de "my boy". me sinto cafona, mas é assim mesmo que eu quero me sentir.
o outro par da sua bota está perdida em algum lugar do carro. queria ter forças pra procurar, mas prefiro deixar o cansaço tomar conto dos meus músculos.
nossos cabelos cobertos de poeira, mas insisto em manter todas as janelas abertas.
sinto algo doer, no canto da boca. olho pra sua e vejo algum vestígio de sangue.
vodka. "não dê vodka a um homem selvagem".
rio sozinha e você não se esforça em saber porque. talvez por já me conhecer a ponto de saber que é por alguma aventura.
por alguns momentos me concentro em sua boca, no resto de sangue, e na sua mão, que descansa em sua própria coxa.
"how beautiful is could a being be?"
tenho certeza que quando o filho do caetano veloso compôs essa música, ele fez pensando em você.
em sua barba, suas mãos repousando em sua própria coxa e na sua boca, com meu sangue e um cigarro no mesmo canto.
me lembro de quando você entrou no meu inferno pessoal. do quanto eu te quero desde sempre.
e você nunca me quis.
mas quando eu desisti de você, foi pra fazer você me querer. e você quis.
linhas certas, caminhos errados, sentimento desproporcional.
pra você é só aventura, enquanto pra mim, ter um ferimento na boca e coração, é como estar em um mar de rosas particular.
"gimme danger little stranger" nunca fez tanto sentido. sinto como se os deuses estivessem com os olhos em cima de nós e fossem nossos DJ's.
é destino. coincidência não existe. rio mais uma vez. e mais uma vez, ele me ignora.
o escuro da noite está começando a perder força. parece estar conectado aos meus reflexos.
você, depois de horas completamente calado, sussurra algo. não ouvi. pois ouvia a mim mesma.
"o que?", falei, com a voz ainda rouca.
ele diz:"nada não", enquanto aponta, pra uma linha dourada azulada, que nasce longe, longe.
"tá amanhecendo, my boy... e aí? o que vamos fazer, agora?"

ele acelera.

sábado, 27 de junho de 2009

de mim.

eu sempre quis ser só um pouco de alguém. e não apenas minha.
sempre quis que alguém me assumisse, usando o "minha", no lugar de "amor".
porque amar é fácil. mas ter, ME TER, nunca foi.
sempre quis poder encostar a cabeça no ombro e poder curtir o silêncio que canta, mas grita dentro de mim.
a incerteza se desespera, enquanto minha boca permanece muda e o coração sapateia, quase saindo do peito.
e eu só queria poder ser "a minha" de alguém, enquanto imagino que o silêncio dentro, igualmente em mim, não é nada silencioso, desse que quer ser "o meu".

cansei de ser de mim.

terça-feira, 16 de junho de 2009

silenzio, no hay banda.

não há orquestra no meu coração
se comprime sem sopro, o pulmão.
nos dedos as baquetas não batucam
as pernas, quietas.
a boca, oh, a boca, sem canto, sem voz.

a mente GRITA
batuca
dança!
contraria o silêncio da banda e arteia dentro da alma.
rebelde,
é orquestra de si
para
si.

silenzio, HAY BANDA!

(algo pensado numa madrugada qualquer. não considero bom. mas também não considero ruim)